Eu sempre digo que o barato do Big Brother realmente são essas mudanças constantes. Não tanto no sentido do jogo, mas em nossas próprias análises sobre o conjunto do jogo. O Lulu Santos já dizia em sua composição que tudo que se vê não é igual ao que a gente viu há um segundo. E pensando nisso, eu exploro um pouco mais dessa música afirmando que no Big Brother tudo muda o tempo todo. Mudamos nossas teorias, nossa maneira de pensar, gostar e agir sobre cada um daqueles participantes. E nessa caminhada, aos trancos e barrancos, vamos desenvolvendo certo tipo de gosto por essa edição. No meio de tantos coadjuvantes, são poucos os que estão sendo protagonistas. A falta de carisma parece mais um produto embutido dessa turma. Mas, é claro que nessa regra existe uma exceção, e um ou outro jogador tem lá seu potencial carismático.
O Diogo, na primeira semana de jogo, tinha alguns ingredientes que poderia ser sua marca registrada. Ele tinha um samba no pé, sabia criar um senso de divertimento em sua volta. Mesmo o seu humor sendo algo forçado e vendido, tínhamos nele uma garantia de chacoalhar os demais. Mas, depois de algumas semanas, tudo virou ao contrário, perdeu o seu balançado e mostrou realmente que tipo de homem era ele. Diogo nada mais é do que um produto de muitos homens que existem em nossa sociedade. Algumas de suas falas e ações são reflexos do machismo enrustido, arrogante e intolerável. Em sua briga com Paulinha, a qual ele usou uma violência verbal e discriminatória, ficou bastante claro o machismo explicito do tipo pirracento. Ele recorreu em alguns instantes, à busca da força para impor sua vontade, e entre o medo, um sentimento de culpa, falta de segurança e personalidade própria, a mulher tende deixar se dobrar.
Jamais estou dizendo que Paulinha é uma pessoa sem defeitos. É claro que existe uma porcentagem de culpa nela, pois enquanto jogadora, sua política é realmente de boa vizinhança, e utilizar o “inha” é sua arma favorita. Porém, entretanto, nada justifica a posição tomada pelo o Diogo. Ele apenas deixou explícita sua ausência em relação à lei da moral, dos bons princípios e do respeito. Afinal, quem grita, geralmente não tem razão e muito menos argumentos concretos para serem defendidos. Agredir uma pessoa com palavras chulas é querer vender pela força, impor sua posição sem ao menos ouvir uma contradição. E nesse sentido, o Diogo vai dando soco em ponta de faca.
O detalhe mais importante da briga que ocorreu entre Diogo e Paulinha, sem dúvidas foi ela ter ido dormir ao seu lado depois de um momento de humilhação, inferiorização, subestimação e constrangimento. Essa cena acaba nos fazendo repensar em toda uma discussão que faz parte na mesa da sociedade todos os dias “A Violência doméstica contra a mulher”. Isso mesmo, independente de sua classe social, idade, cor ou nível intelectual, no Brasil isso ainda é um problema grave. As estatísticas estão sempre comprovando o aumento da violência contra a mulher em nosso país. Apesar dos avanços em vários campos, como criação de delegacias especializadas e atendimentos às mulheres, no ponto de vista de política pública, isso ainda é algo totalmente minúsculo. Muitas mulheres têm medo de denunciar seus maridos, por questão que varia entre impunidade, sobrevivência, existência, sentimentalismo, exposição, e etc.
O caso de Maria permeia os paradoxos sexistas, numa sociedade que ainda mantém lá seus traços ligados ao dito patriarcalismo. Qual seriam de fato, a causa e o motivo de Maria ter que explicar algo que não precisaria ser explicado ?Por que ela tem obrigação de esclarecer essa situação? Por que é aceitável e normal o tal do Maumau cobiçar Adriana ? Por que é considerado vulgarismo ela ficar com Wesley ? Pensar sobre isso é querer demais para um grupo de beócios que ficam lascando pedra na mulher. Maria poderia muito bem sair de toda essa situação de forma vitoriosa e triunfal, ela tem carisma, tem uma sensualidade que não se resume apenas em seu corpo. Mas, ela acabou cambaleando em seu salto alto. Ao se ajoelhar, perante o Maumau, Maria não jogou apenas os seus braços e suas pernas no chão, mas toda sua dignidade, sua honra e integridade moral. Uma feminilidade baseada na inferioridade, na vitimização e na dependência.
Enfim, uma mulher ajoelhar ao homem, dentro do contexto que ela tá vivendo , é derrubar toda uma história de luta das mulheres pela sua liberação e pelos seus direitos conquistados, os seus avanços, expansão e reconhecimento. O mais importante do que ter alguém é ser alguém. Eu não sei qual será o destino de Maria nesse jogo de triângulo amoroso produzido pelo Bones e produção, mas neste momento Maria anda enfrentando ela mesma como sua adversária. O seu jogo não é contra ninguém, mas contra sua própria pessoa. Resta-nos apenas saber como ela sairá desse conflito interno. Pois, recentemente, ela e Paulinha mostraram nessa edição do Big Brother uma das piores fraquezas femininas.
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