Durante esses últimos dias de observação de confinamento no Big Brother, nós fomos colocados dentro de uma situação de fragilidade e impotência quando Diogo demonstrava uma descrição do seu olhar sociológico e antropológico sobre a mulher em si. Uma relação que ele fazia do corpo da fêmea e o seu próprio posicionamento dentro de algumas situações socialmente com tal sexo feminino. Eu acredito que Diogo vive dentro daquela casa toda sua produção e reprodução de vida social. Não conheço sua família, nem tanto tenho argumentos suficientes para levantar uma ligação entre o seu ser e seus laços familiares, mas, através de algumas opiniões expostas pelo seu irmão em algumas entrevistas e no twitter, identificamos e reconhecemos que tais atitudes do Diogo é algo visto como banal e aceitável em seu ambiente de convivência.
Nestas últimas décadas, nós temos acompanhados os avanços femininos em vários setores, que apesar de algumas resistências e imposições conservadoristas, muitas vezes elas lutam contra uma postura preconceituosa e machista que impera em volta da nossa realidade. É uma luta diária, que muitas procuram encontrar dentro de si uma ousadia que possa superar todo esse conjunto de tabus, paradigmas, rótulos e obstáculos. Infelizmente, nesse campo de atuação, há uma porção de mulheres que são manipuladas e controladas, não exclusivamente, mas também e principalmente por uma indústria cultural. É percebível o quanto essa indústria resume sua feminilidade apenas em seu corpo, à sua sexualidade, ignorando sobre o seu papel dentro dessa sociedade e reforçando valores que limitam as mulheres a sua condição biológica. Ao analisar alguns pensamentos escritos de mulheres que admiram o tal Diogo, é explícita sua escravização dentro de conceitos e pensamentos que nem Freud conseguiria explicar.
A parte mais inacreditável é que elas não se dão conta que são culpadas pelo sistema machista que impera em nossa sociedade. Essas mulheres, fora e dentro das muralhas do Big Brother, além de serem vitimas da violência, reproduzem tal ideologia que o homem domina socialmente a mulher; sem falar que muitas vezes elas são cúmplices de sua própria desgraça. Pelo pouco conhecimento que eu tenho na área de educação, é algo bastante natural encontrarmos procedimentos e ideias que são utilizadas para reforçar concepções de um mundo masculino superior ao feminino. Mulheres, mães, professoras, direção e coordenação estão produzindo uma forma de machismo, tanto visível quanto também invisível. Meninos e meninas estão sendo orientados e determinados o tempo inteiro para serem completamente diferentes. O mais grave é que isso não perpassa apenas entre as paredes da escola, mas também estão sendo pregadas à exaustão na família, igrejas, na mídia, nos meios de comunicação e etc.
O Diogo é apenas uma cinza desse vulcão em erupção. Nós temos um trabalho árduo e intenso na desconstrução dessa educação sexista que está sendo estabelecida dentro da sociedade. É o mínimo que podemos fazer para derrubar e superar essa onda de preconceitos e estereótipos que separam e colocam homens e mulheres em planetas distintos. O Big brother é sim um canal de divertimento e descontração, mas não consigo deitar em minha cama e não pensar sobre algum aspecto que ele possa nos tirar do nosso estado de comodismo e obscurantismo. Diana, por exemplo, é uma mulher que foge dos padrões de comportamento, que nos faz refletir sobre o gênero em nossas práticas e suas reações. O seu personagem e sua pessoa têm um gosto curioso e interessante. Ela é uma das participantes mais interessantes que já passou no Big Brother. Tem coerência em seu método de discurso. Humildade quando é preciso e temperamento quando é inevitável. Os hipócritas e os falsos moralistas que a condenam não têm metade da sua capacidade e firmeza de enfrentar o mundo.
Diana flutua no pensamento diferente. É uma mulher que tem coragem de expor suas ideias em uma vitrine para que os críticos fundamentalistas e os retrógados possam Julgá-la e condená-la. Alguns irão ridicularizá-las e diminuir a sua importância, mas ela parece gostar de sambar sem medo de cair do palco. Talvez você diga que seja puro lirismo de minha parte, mas o encantamento da Diana não é representado por beleza e nem por simpatia, são outras características que dominam o nosso olhar.
Enfim, voltando ao foco da conversa inicial. A eliminação do Diogo hoje seria uma manifestação digna de respeito apenas por sermos seres humanos. Respeito aos avanços consagrados femininos. Respeito aos direitos humanos. Respeito por uma categoria que eu chamo de minoria social, que não assimilam o padrão imposto. O Gago, ao sair por aquela porta, representa uma pequena e simples resposta aos muitos Diogos que aqui existe.
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